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sábado, 15 de novembro de 2008

Entre Madri e Natal - Sonhei

Olá queridos,
Sei que estive um tanto ausente das letras aqui postadas no meu blog por causa das muitas viagens, mas gostaria de dizer-lhes que nunca deixei de ler o que eu pude das palavras postadas por vocês. Aqui vai um pequeno carinho que escrevi hoje e que quero dividir com todos os viajantes da mesma linha de trem.
Beijos

As palavras seguintes são em relação à solidão da profissão e de nossas viagens que me obrigam a estar longe dos amigos e familiares, mas ao mesmo tempo perto e sendo ganerosa com a música e com quem a troca comigo. A dedicação a ela é intensa, mas o prazer que as pessoas me provam e me entregam compensa tudo.

Escrito em 15 de novembro de 2008, entre Madri – ESPANHA - e Natal - RN, BRASIL - nos contrastes e distâncias da estrada.


Sonhei
Sonhei que estava ausente
Ao meu molde inocente e barato romance
Sonhei deveras inconstante
Depois acordei
Eu nesta minha passagem
Não sossego a imagem de um beijo eterno
São tantas invasões e cobranças
Tantos marketings e pieganças
Tanto catolicismo e rudezas
Pensando comigo eu prezo ainda a figura e com ternura separo o casal cuidadoso e calmo
Que tanto essa imagem aparece
Que tanto obsessivo amanhece, anoitece
Que eu não quase posso ver-me
Sem estar colada a um outro
Não me basto, não me encontro a mim e a mim
É preciso estar o bastante consigo
E esta é uma guerra que combato
A da dependência do outro
É preciso conhecer-me
É preciso um aperto
Sentir-se
Se não houve um por alguém
Pais, tios, avós e por conseguinte amigos
Um nutrir de amores
Então, que se danem os deleites fortúnios não tidos
Eu ponho o meu pezinho no meu
Eu beijo com carinho meus braços
Cheiro os meus cabelos e me farto
Eu posso desviar-me dos traços de desconfortos e fracassos que poderiam domar-me
Eu quero e pego os doces que eu guardo, colhendo e percebendo o que a vida oferece
Eu guardo-me em significante estado
Puro, belo e macio
Lugar onde o filigrana é desenhado a enfeitar o meu ninho
Arquiteta o meu ninho
Onde passo o meu estimulo aos pássaros
Canto, falo os meus perfumes que vão
Respirados e leucócitos
Cheios de luzes, acalentação e muitos
Sem necessariamente ser todos
Sem necessariamente estar com todos
Mas estando
Definitivamente respirando juntos
Cão gato rato e fruto.

Vanessa da Mata